quinta-feira, 9 de junho de 2011

 

Incas: Agricultura e Crenças
O milho
Através de indicações de cronistas, John Murra diz que o milho era considerado “a semente da gruta”, ou seja, de Pacaritampu, de onde havia supostamente saído a linhagem real inca, o que nos traz paralelos com o mito do deus/herói mexicano Quetzalcoatl, em sua saga de haver se tornado uma formiga para resgatar a semente do milho nas entranhas de uma grande montanha para servir de alimento ao ser humano…
Enfim, este grão, principalmente porque era a matéria-prima da bebida sagrada embriagante dos incas, tomava-se verdadeira preocupação de Estado, e a casta religiosa depositava seu esforço e afeto no cultivo da planta: “No interior do Intihusi, o templo do Sol, os sacerdotes cultivavam outra horta que regavam à mão com água trazida nos ombros. Três vezes ao ano plantavam entre as plantas vivas reproduções de ouro, de tamanho natural, com folhas e sabugos”.
Milho
Na região andina, o milho aparece tardiamente e teria muito menor utilidade alimentar do que a batata ou a quinua, que há tempos estavam sendo cultivadas por lá, ainda que cada vez mais aumentasse o apreço daquele cereal como alimento (mesmo que sem a variação culinária que se encontraria na América Central), e também era um recurso amplo no litoral andino, área mais exeqüível para cultivá-lo. Enfim, teria mesmo assim uma importância simbólica e ritual sem par. “De fato, na maior parte da América do Sul serrana o milho foi cultivado sobretudo com fins cerimoniais e para elaborar chicha”, que era a bebida alcoólica dos Andes.
Milho
A Coca
A planta Erythroxylon Coca (Cocaína), já era utilizada pelos Incas, eles mascavam as folhas da planta, por motivos sociais, místicos, medicinais e religiosos. Os índios atribuíam à planta propriedades mágicas e consideravam-na sagrada: acreditavam que com ela, entravam em contacto com deuses e espíritos, que os protegiam. Utilizavam-na em rituais de nascimento, de iniciação e funerário, cerimónias religiosas, como anestésico local e seu chá para curar dores de estômago.
Discute-se se o governo inca não tivesse consumado uma monopolização da produção da coca, e assim só poderia ser usufruída através do sistema de redistribuição do Estado. Assim, Marlene Dobkin de Ríos, em sua análise do uso de drogas no Peru incaico, reproduz a tese do investigador Henrique Gamio, o qual afirmara, na década de 30 do século XX, que o trabalhador camponês não teria acesso à coca, pois as plantações seriam escassas e pertenciam exclusivamente ao inca e seus sacerdotes.
Erythroxylon - Coca
No entanto, a autora assevera que “não está sugerindo que nenhum uso da coca ocorria a nível popular, uma vez ainda que a usurpação pelas autoridades estatais tivesse ocorrido”, mas não se deve confundir “autoridade e poder”, ou seja, os argumentos da elitização do uso da coca “estão baseadas na noção de legitimidade preferivelmente à regra de coação do ‘estado repressor”
Dobkin de Ríos dessa forma se exime um tanto do erro em apostar que haveria um monopólio incaico do uso da coca. O que possivelmente havia era uma política estatal que se espelhava nos antigos sistemas de reciprocidade e redistribuição comuns aos pequenos grupos políticos (e étnicos), dessa forma as plantações trabalhadas pelos mitayos do Estado inca abasteciam a elite de Cuzco.
Como aponta Anthony Henman, a monopolização da coca poderia ser interpretada como um ideal do Estado inca, mas até “poderia ser inclusive tentador remover o ideal de um monopólio da coca de seu contexto inca, já que é um tema bem presente na história peruana”, desde outros “horizontes” anteriores de centralização política, bem como pela estrutura estatal colonial e republicana na tentativa de desestruturar as economias comunitárias ancestrais.

Lenda Inca
Alguns rituais de saudação e respeito à natureza (Mamacocha), sao feitos com as folhas de coca. As pessoas que recebem as três folhas unidas (que representam o conhecimento, o amor e o fazer/agir), devem estender um boné ou um pedaço da roupa e nunca pegá-las com a mão, pois é um sinal de “vagabundagem”. Depois, as folhas em triângulos devem ser erguidas ao sol, beijadas (elemento ar) e atiradas ao Lago Titicaca, com pedidos. As folhas que sobraram, devem ser jogadas no lago no decorrer da travessia.
Ao Deus Inti(Sol), divindade suprema, foi consagrado o arbusto da coca, e suas folhas são oferecidas nos rituais e cerimônias.
Em todas as consagrações aos deuses incas, as pessoas levavam em suas bocas as folhas de coca. Eles queimavam folhas para predizer o futuro, jogavam no chão para evocar Viracocha. Os sacerdotes as mascavam para abrir portas do mundo profundo. Introduziam folhas de coca na boca dos mortos, para preservá-los de perigos espirituais, assim como nas sepulturas. As folhas de coca também eram usadas nos ritos de passagem dos filhos do rei.
Coca
No Perú havia um Templo da Coca, onde consagrava-se La Cocamama, a entidade espiritual das folhas de Coca.
Quando Pizarro invadiu o Perú, ele mandou queimar o templo da Cocamama, e as plantações, pois observou que isso iria destronar a moral do povo.
Dizem que no momento em que as folhas iam sendo destruídas, os sacerdotes incas, fizeram a seguinte maldição:
– Assim como os brancos estão destruindo as folhas de coca, um dia as folhas de coca irão destruir os homens brancos !

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